[Texto do jornalista Estevão Bertoni, do jornal Folha de S. Paulo, publicado neste sábado (27/6)]
O professor Hermínio Alberto Marques Porto, em apoio aos estudantes, não arredou o pé da PUC até o último aluno sair da instituição.
Era 22 de setembro de 1977, tempos de regime militar.
Naquele dia, 3 mil homens, munidos de cassetetes e bombas, reprimiram um ato em frente à universidade, do qual participavam cerca de 2 mil estudantes. Centenas deles foram postos em ônibus e levados presos.
Hermínio, diretor da Faculdade de Direito da PUC na época, viu o prédio onde lecionava ser invadido e depredado. Junto à reitoria, pronunciou-se: “Com a violência não se dialoga”. Para ele, a data ficou sendo símbolo da reivindicação por um Estado democrático no país.
Nascido em Batatais, foi criado em Bebedouro (SP).
Em 1945, veio à capital, onde se formou em direito pela USP, em 1950. Foi promotor em cidades do interior e na capital e corregedor-geral do Ministério Público. Chamavam-no de mestre do júri.
Também exerceu os cargos de professor titular de Direito Processual Penal da PUC e vice-reitor da Unip.
Aposentado como procurador de Justiça do Estado, atuou por um tempo como advogado criminalista e ainda dava aulas na pós-graduação da PUC. “Ele tinha um espírito humanista, era um típico advogado da sociedade”, diz a filha Taís, que é também procuradora.
Nas horas vagas, foi pintor – deixou a sala de casa forrada com quadros de sua autoria. Hermínio morreu terça-feira (23/6), aos 82 anos, após sofrer uma parada cardíaca. Teve quatro filhos e três netos.
A missa de sétimo dia acontece sábado, às 17h, na paróquia São João de Brito, no Brooklin, em São Paulo.
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